As últimas informações do caso do jogador Daniel, morto no final do mês de outubro
06/11/2018 08:54 em Esporte

Mensagens trocadas entre o jogador Daniel Corrêa e alguns amigos mostram uma "linha do tempo" do rapaz momentos antes do crime. No final do último mês, o atleta foi morto com sinais de tortura em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba.

 

Em entrevista à RPC, Edison Brittes Júnior confessou o crime. Ele alegou ter matado Daniel porque o jogador tentou estuprar a esposa dele, Cristiana Brittes. Edison Júnior, 38 anos, Cristiana, 35 anos, e a filha do casal, Allana Brittes, 18 anos, estão presos em São José dos Pinhais. As prisões têm validade de 30 dias.

 
(Foto: Divulgação / EC São Bento)

 

  • Mensagens e linha do tempo

Daniel chegou em Curitiba na noite de 26 de outubro, uma sexta-feira. Ele passou na casa de um amigo e foi para a primeira festa em seguida. As informações são do Globo Esporte Paraná.

 

Por volta de meia-noite, os dois foram para o aniversário de 18 anos de Allana, em outra boate de Curitiba. Os convites foram entregues pelo pai dela.

 

No dia seguinte, às 5h40 da manhã, o amigo de Daniel foi embora e o jogador disse que ia para a casa de Allana, para continuar a festa.

 

Às 6h36, Daniel enviou uma mensagem para o amigo, avisando que estava na casa da aniversariante, na cidade de São José dos Pinhais.

A primeira pessoa a ir dormir foi Cristiana. Na festa, ficaram Daniel, Edison Júnior e outras oito pessoas.

 

Às 8h07, Daniel passou a enviar mensagens para outro amigo e contou que estava na casa de uma menina, onde várias pessoas estavam dormindo. Em uma mensagem de áudio, Daniel disse ao amigo que não estava muito bêbado.

 

Foto: Reprodução/RPC

 

O jogador também informou ao amigo que havia uma "coroa" na casa, que ia ter relações sexuais com ela e que era mãe da aniversariante.

 

O amigo pediu para Daniel ter cuidado para não ser expulso da casa. O atleta mandou uma foto ao lado de Cristiana, que aparentava estar dormindo.

 

Foto: Reprodução/RPC

 

Às 8h34, Daniel mandou outra foto ao lado de Cristiana e disse ao amigo que teve relação sexual com ela.

 

Em seguida, o rapaz mandou uma última mensagem: "O que aparecer amanhã é nóis". O amigo perguntou o que Daniel quis dizer, mas não foi respondido.

 

Foto: Reprodução/RPC

 

O corpo de Daniel foi encontrado duas horas depois, às 10h30, pela polícia, em um matagal. O corpo apresentava multilações e sinais de tortura.

 

Segundo a Polícia Civil, o órgão genital do jogador foi cortado e o Instituto Médico-Legal (IML) apontou ferimento por arma branca como causa preliminar da morte.

 

O amigo que cedeu a casa para Daniel disse que começou a ficar preocupado na noite de sábado porque o atleta estava desaparecido desde a festa. O rapaz chegou a envar mensagens para Allana, que afirmou que Daniel tinha ido embora sozinho.

 

O amigo reconheceu o corpo de Daniel no IML, no domingo, 28 de outubro.

Contradições

Embora a defesa alegue a tese de que o crime foi uma tentativa de estupro, algumas afirmações do empresário começaram a ser colocadas em dúvida depois do testemunho de uma pessoa que estava na casa no dia do crime. Contradizendo pontos importantes da versão do suspeito, essa testemunha disse que a porta do quarto estava trancada com todos os envolvidos no momento das agressões contra a vítima, e não trancada com a necessidade de arrombamento, como Edison afirmou.

A entrevista foi feita pela Rede Globo, em São Paulo, para onde foi a testemunha, com medo de ser identificada e perseguida. “Chegando à casa (da família de Allana), ficamos bebendo e comemorando mais, o pai dela tinha convidado a gente para ficar lá, porque ela estava fazendo 18 anos. Um tempo em que estávamos lá, o rapaz sumiu do lugar”, disse.

Segundo a testemunha, nesse momento, Edison e outro rapaz entraram na casa. “Passaram uns 10 ou 5 minutos, ouvi muita gritaria e pedidos de socorro para que não acontecesse uma tragédia. Fui pelo lado de fora, pela janela, porque a porta do quarto estava trancada, e avistei o que estava acontecendo. O rapaz estava sendo enforcado, apanhando muito, muito, e nisso entraram mais dois rapazes, ajudaram a bater nele, depois veio mais um rapaz, tiraram ele do quarto e jogaram ele para fora da garagem e continuaram a espancar”, detalhou.

Outra contradição vem da filha de Edison, Allana. Num vídeo divulgado pela defesa da família, a jovem diz que não tinha convidado Daniel para a festa em casa e que conhecia ele há menos de um ano. Apesar disso, uma foto de uma postagem de rede social diz o contrário: no post, Allana está com Daniel numa festa de aniversário dela, de 17 anos, e escreveu: “a nossa foto do meu aniversário do ano passado, a desse ano você não me mandou”.

Investigações continuam

Os três, Edison, Cristiane e Allana, foram presos em caráter temporário e as prisões têm validade de 30 dias, prazo esse que pode ser prorrogado se a polícia pedir e a Justiça entender a necessidade. Enquanto isso, a Polícia Civil de São José dos Pinhais vai continuar a investigar o crime. Nesta quinta, em entrevista coletiva, o delegado Amadeu Trevisan, responsável pelas investigações, disse que, ainda que tenha havido um estupro, o que não está confirmado pela polícia até o momento, a reação de Edison não foi a correta. “O que é preciso entender é que a resposta dele foi totalmente desproporcional, não vamos perder isso de vista. Ele jamais poderia ter agido dessa forma. Como ele tira a vida de alguém?”, disse.

O delegado ainda confirmou que Daniel conhecia Allana e já tinha participado da festa de 17 anos dela, no ano passado. Apesar disso, para Trevisan, o crime não foi premeditado. “Foi cometido no calor dos acontecimentos, a motivação está bem clara e aconteceu na casa, onde houve o espancamento. Depois, ele pegou a faca e aí sim tinha a intenção de matar. Mas com certeza não o fez sozinho, outras pessoas participaram”, explicou.

 

 

 

 
 
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