Escravas sexuais brasileiras e latinas no Japão: 'queimaram os genitais de minha amiga com cigarro'
10/01/2019 16:05 em Geral

Elas foram colocadas lado a lado. Eram várias e estavam todas nuas.

 

Entre uma e outra havia certa distância, para que pudessem cumprir uma ordem: a de esticar os braços e abrir as pernas para os lados.

 

De repente, caiu algo da vagina de uma delas. Era uma camisinha com dinheiro em seu interior.

 

"Quando viram o que era, eles queimaram os genitais da minha amiga com um cigarro."

 

Quem conta é Marcela Loaiza, jovem que, assim como outras mulheres latino-americanas - inclusive brasileiras -, foi sexualmente explorada no Japão por uma rede de criminosos que engana as jovens prometendo a elas carreiras bem-sucedidas como modelos ou bailarinas no país asiático.

 

"No dia seguinte, como se nada tivesse acontecido, forçaram ela a seguir a trabalhando. Ela tinha uma cota a cumprir", prossegue Marcela. "E ali começou uma lei: 'aquela que descobrirmos que esconde dinheiro terá seus genitais queimados'. Eu não passei por isso, mas assisti. Nunca me atrevi (a esconder dinheiro) porque tinha muito medo."

 

Nem ela nem suas colegas recebiam dinheiro diretamente dos clientes.

 

"Eles sempre pagavam no hotel ou no local onde nos levavam, mas às vezes nos davam gorjetas e até isso (os cafetões) tiravam de nós."

 

Como começou o 'inferno'

Como Marcela foi parar ali? Tudo começou em uma casa noturna em Pereira, na Colômbia. Um homem se aproximou dela, mas não para convidá-la para dançar ou para sair. Ele apenas se apresentou, entregou a ela seu cartão e disse que ela tinha um enorme potencial para se dar bem como bailarina no exterior.

 

Na casa noturna, Marcela dava aulas de dança e animava festas, como complemento de renda a seu trabalho como caixa em uma loja.

 

A princípio, a jovem de 21 anos não deu muita atenção à proposta. Mas, quando sua filha de quatro anos adoeceu e teve de ser hospitalizada, ela precisou parar de trabalhar para cuidar da menina. Resolveu ligar para Pipo, como se apresentara o "agente".

 

Pipo se mostrou muito compreensivo e ofereceu dinheiro para Marcela pagar os gastos hospitalares da filha. Futuramente, disse ele, Marcela poderia reembolsá-lo com "o dinheirão" que ganharia dançando no país onde "seguramente ela seria contratada".

 

Mãe, solteira e de origens humildes, Marcela aceitou. Quando a filha se recuperou e pôde ficar com a avó, Marcela decidiu ir. Mas não contou a ninguém, a pedido de Pipo.

 

"Só disse à minha mãe que iria a Bogotá buscar trabalho para pagar dívidas", conta.

Fonte: r7.com.br

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