No palco da Guerra de Canudos, a ararinha azul pede passagem
02/08/2021 08:28 em Natureza

Foto: Lourinho Reis/Divulgação

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) protagonizou notícia nacional ao anunciar que repatriou da Alemanha 52 indivíduos da ararinha azul, espécie extinta. Como, se na região de Euclides da Cunha o mesmo Instituto cuida da ararinha? Simples: a ararinha repatriada é a chamada ararinha azul pink, típica de Curaçá. Já em Euclides da Cunha é a Arara Azul de Lear, essa bem vigiada, mas também ameaçada.

 

O Instituto Chico Mendes também está lá, mas quem vigia a espécie é a Associação Jardins Arara Azul de Lear. Marlene de Souza Alves, integrante, conta que lá, hoje, há dois mil indivíduos. 40 anos atrás, quando o movimento começou, eram apenas 40. A ararinha azul de lear foi descrita em 1856, mas a área de ocorrência só em 1978. É aqui, entre Euclides da Cunha e Canudos, passando sobre o açude de Cocorobó, terras do beato Antonio Conselheiro, palco da Guerra de Canudos.

 

Este cenário, caatinga pura, está em vias de receber um invasor que ameaça a ararinha de lear. A empresa francesa Voltalia, que está em vias de instalar um parque eólico. Marlene diz que a situação é muito delicada:

"Vem uma empresa dessa para o sertão, gera empregos numa área extremamente carente. Fica difícil fazer entender que a nossa ararinha de lear tem o direito de viver."

 

Marlene Alves, personagem top no trato das ararinhas azuis de lear, em Euclides da Cunha, tem uma história pessoal curiosa. O marido, Lourinho Reis, é guia turístico na área que engloba o Parque Estadual de Canudos. E garante: tem muito gringo que vem para cá só para ver a ararinha azul, que de fato, é linda."

Por A Tarde

 

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