Ararinhas-azuis serão 'repatriadas' para o Brasil após acordo com Alemanha; aves são extintas na natureza
08/06/2019 06:25 em Natureza

Ararinha-azul — Foto: Leonardo Milano/Divulgação

Na semana em que se comemora o Dia Mundial do Meio Ambiente (5), 50 ararinhas-azuis - espécie extinta na natureza - ganharam uma autorização para "voltar para casa". Naturais da caatinga brasileira, as aves estão em um cativeiro legalizado na Alemanha.

 

Nesta sexta-feira (7), o Instituto Chico Mendes da Biodiversidade (ICMBio) e a ONG alemã Association for the Conservation of Threatend Parrots (ACTP), assinaram um acordo para repatriar as aves. Elas serão trazidas para o Brasil em um avião fretado, em novembro.

 

"As ararinhas-azuis são animais de difícil reprodução. Esta será a primeira vez que ocorre a reintrodução de aves silvestres na natureza sem ter exemplares em vida livre", explica a analista ambiental do ICMBio, Camile Lugarini.

 

A espécie está ameaçada de extinção e, no mundo, só existem 166 indivíduos, segundo o Ministério do Meio Ambiente. No Brasil, 13 deles – dois filhotes nascidos na semana passada – vivem em uma reserva em Minas Gerais. Os demais estão espalhados pela Alemanha (147), Bélgica (4) e Cingapura (2).

Ministério do Meio AMbiente, ICMBio e ONG na Alemanha assinam acordo de repatriação de 50 ararinhas-azuis — Foto: Marília Marques/G1

Ministério do Meio AMbiente, ICMBio e ONG na Alemanha assinam acordo de repatriação de 50 ararinhas-azuis — Foto: Marília Marques/G1

Para os ambientalistas do ICMBio, ter um grupo grande de ararinhas-azuis reinserido no habitat natural é um "feito inédito". Até então, apenas quatro aves da espécie tinham "voltado para casa", em 2013. Na época, elas viajaram da Espanha para o interior de Minas Gerais.

 

Vida na natureza

As 50 aves repatriadas da Alemanhã irão para o Refúgio de Vida Silvestre da Ararinha-Azul. A unidade de conservação foi criada no ano passado, em Curaçá, interior da Bahia.

 

 

Ao chegar no Brasil, elas irão passar por um período de quarentena. Elas deverão ficar isoladas das demais aves em meio à vegetação da caatinga.

 

No local, os animais vão passar por exames clínicos e terão a saúde avaliada. Os veterinários também vão observar se a condição delas está dentro dos critérios sanitários exigidos pelo Ministério da Agricultura.

 

Se aprovadas nesta fase inicial, as ararinhas vão conviver com outras aves (maracanã-verdadeiro) e, depois de adaptadas com a fauna brasileira, pelo menos 15 serão soltas e monitoradas na natureza pelo resto da vida. As demais vão permanecer em cativeiro para reprodução assistida.

 

Extinção

As ararinhas-azuis foram catalogadas pela primeira vez em 1819, no município de Juazeiro, interior da Bahia. Nas décadas de 1960 a 1980, as aves despertaram o interesse de criadores e começaram a entrar em extinção.

 

Com a legislação mais rígida, a caça e tráfico da espécie se tornou crime, mas no ano 2000 já era tarde demais e restaram apenas sete exemplares da ave.

 

Neste período, o governo brasileiro em parceria com organizações internacionais assumiram a responsabilidade de preservar a espécie e, a partir de cruzamentos genéticos, a população passou para 53 animais. A meta seguinte era chegar a 150 e, hoje, os ambientalistas comemoram a existência de 166.

Ararinhas azuis criadas na Alemanha serão mandadas de volta para o Brasil — Foto: Association for the Conservation of Threatend Parrots (ACTP)/ Divulgação

Ararinhas azuis criadas na Alemanha serão mandadas de volta para o Brasil — Foto: Association for the Conservation of Threatend Parrots (ACTP)/ Divulgação

Para a ambientalistas do ICMBio, além do tráfico dos animais, o desmatamento da vegetação de caatinga – habitat natural da espécie – contribuiu para a extinção. "A ararinha, que já era rara, perdeu grande parte do habitat pelas atividades produtivas da região (queima, retirada de lenha e desmatamento)", explica Camile.

 

"Com o tráfico, a ave ficou ainda mais rara e, assim, mais cara, e acabou desaparecendo".

 

"Perdemos muitos indivíduos fundadores levados pelo tráfico, e alguns casais não conseguiam se reproduzir. O grande problema era que apenas 10% dos ovos eclodiam, ou seja, geneticamente, grande parte dos casais de ararinhas eram incompatíveis", diz.

Fonte: G1 Globo

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