Primeira Flican apresenta as 'sete faces' de Antônio Conselheiro sem transformá-lo em mito
21/11/2019 06:48 em Cultura

Foto: Lucy Sampaio / Divulgação

Uma vez palco de guerra, o município de Canudos será agora palco de uma feira literária. A primeira edição da Flican será realizada desta quinta-feira (21) a domingo (24), com atividades gratuitas em diversos espaços da cidade. Como não podia ser diferente, neste primeiro ano, os homenageados são o peregrino Antônio Conselheiro e o escritor Euclides da Cunha, autor do clássico "Os Sertões".

 

 

 

Os dois serão tema de diversas mesas ao longo da programação. A conferência de abertura, por exemplo, vai abordar as "sete faces" do líder religioso com uma apresentação do professor doutor Leopoldo Bernucci, às 20h de hoje, no Espaço Edivaldo Boaventura.

 

"Eu vou fazer um resumo histórico com várias opiniões de grupos que vão de militares a religiosos, escritores, o próprio Euclides… Porque é, evidentemente, uma questão importante sobre Canudos e eu fui formando um conjunto de sete perspectivas pra poder mostrar os contrastes e também as coincidências que há entre essas diferentes vozes", explica Bernucci em entrevista ao Bahia Notícias.

 

Com isso, o professor destaca o desafio de apresentar essa figura, fruto de sua pesquisa acadêmica, a "meninos de escola". Parte da plateia dele, que também participa de uma mesa, a “Conversa entre Autores”, na sexta (22), deve ser de jovens estudantes, já que a feira conta com apoio da Secretaria de Educação do Estado e diversas escolas da região vão levar seus estudantes para o evento.

 

Pensando nisso, Bernucci acredita que há uma metodologia capaz de evitar que Antônio Conselheiro seja visto como um mito, o que seria prejudicial para o público. "Eu acho que o Brasil não precisa de mitos nesse momento. Nós estamos precisando de cabeças muito lúcidas, claras, pra não nos apegarmos a nenhum tipo de figuras ou semi-deus. É um momento muito delicado pelo qual estamos passando na política e a gente querer elevar a figura dele ainda mais como se ele fosse o Messias ou o Salvador da Pátria não nos ajuda", avalia o professor.

Por Bahia Notícias 

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